Povoada desde os tempos pré-históricos, palco de lutas acérrimas durante a guerra civil de 1833, berço de poetas e imortalizada por escritores de renome nacional, São Bartolomeu de Messines constitui hoje uma freguesia riquíssima em história, património arqueológico e natural.
Em termos arqueológicos são conhecidos vestígios desde o Neolítico Antigo (VI-V milénios Antes de Cristo), até aos nossos dias, como os menires do Megalitismo, (Circuito Arqueológico de Vale Fuzeiros), as estelas epigrafadas da Idade do Ferro, de Benaciate, ou ainda a alcaria da Portela de Messines, do Período Islâmico.
A igreja apresenta um interior magnífico, provocado pelos efeitos cromáticos da cal com o grés vermelho. De fachada Barroca, de grande efeito cénico, apresenta o seu interior manuelino, com as conhecidas colunas torsas, únicas em todo o Algarve.
No século XIX, o topónimo S. B. Messines irrompe na actualidade nacional. Quartel general de José Joaquim de Sousa Reis, o famoso Remexido, célebre nas lutas entre absolutistas e liberais (1833-38), aqui semeou o pânico e o terror que espalharia por todo o Algarve e que acabaria por colocar o reinado da Rainha D. Maria II em sobressalto. É também em 1830 que nasce em Messines o único algarvio que até hoje teve honras de repousar no Panteão Nacional, o poeta e pedagogo João de Deus, que nesta localidade tem a sua Casa-Museu. A afirmação da freguesia, no século XIX, foi feita também a nível de pequenas indústrias (corticeira, pedreiras, etc.) a que o desenvolvimento trazido pelo caminho-de-ferro, a partir de 1 de Julho de 1889, não ficou alheio.
Durante o século XX, em S. B. Messines nasceram as personalidades regionais e nacionais Cabrita Mealha (ciclista), Joaquim Manuel Cabrita Neto (Governador Civil de Faro, deputado), Maria Emília Guerreiro Sousa (autarca do Município de Almada), Coronel Costa Martins (Capitão de Abril, Ministro do Trabalho), Vítor Neto (Secretário de Estado, deputado) e a nossa 1ª Dama, Maria Cavaco Silva.
Hoje a freguesia de S. B. Messines apresenta extraordinários indicadores de progresso: tem 8500 habitantes – mais do que cinco concelhos algarvios – e foi criado este ano (2009) o Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico veio trazer novas perspectivas de um desenvolvimento sustentável.
Evocar a história da freguesia de S. B. Messines é caminhar pelo passado, tão distante e tão presente, é evocar nomes e personalidades dos nossos dias, é simultaneamente prognosticar um futuro bastante promissor, para aquela que é a maior freguesia do Algarve (em área).
Aurélio Nuno Cabrita